Campo Grande-MS 26.06.2017
Pica-pau-do-parnaíba pode ser extinto
Terça-Feira, 04.06.2013 às 00:01
Pica-pau-do-parnaíba pode ser extinto
Espécie ficou desaparecida por 80 anos e não tem plano de conservação
Maria Luiza Campos – Boticário
Revista Top Vitrine
Divulgação/Renato Pinheiro - Boticário
Pica-pau-do-parnaíba (Celeus obrieni)
Divulgação/Renato Pinheiro - Boticário
Aves vivem em espaços cada vez menores

O pica-pau-do-parnaíba (Celeus obrieni) precisa entrar na lista vermelha das espécies brasileiras ameaçadas de extinção.

 

Esse é o alerta do pesquisador Renato Pinheiro na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho). Desde 2007, ele e sua equipe estudam a espécie típica do Cerrado, bioma que possui apenas 20% de sua cobertura original intacta, segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

 

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Esse ambiente altamente modificado pela ação humana é um dos principais riscos à conservação da ave, que chegou a ficar por oito décadas sem que sua presença fosse registrada na natureza.

 

O pesquisador explica que esse pica-pau possui duas características peculiares que a tornam vulnerável. “Ele precisa de uma grande área bem conservada de cerrado florestal ou cerradão [fitofisionomias do Bioma Cerrado]. Além disso, depende de um bambu chamado popularmente de taboca (Guadua paniculata), pois se alimenta exclusivamente de formigas que fazem seus ninhos nas hastes ocas dessa planta”, comenta.

 

Outra questão crítica é o fato de a ave precisar de árvores de médio ou grande porte para que possa fazer seus ninhos.

 

Este pica-pau ocorre nos estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Maranhão e Piauí, onde a espécie foi originalmente descrita, em 1926. “Outro resultado importante, percebido por meio do monitoramento com rádio-transmissores de 5 indivíduos, foi que a área de vida da ave, isto é, o espaço que ela precisa para satisfazer suas necessidades vitais é, em média, de 250 hectares, o que dificulta ainda mais sua existência”, comenta.

 

A luta pela sobrevivência

 

Espécie endêmica do Brasil, o pica-pau-do-parnaíba tem tido cada vez mais dificuldade em encontrar outros indivíduos de sua espécie para se reproduzir, uma vez que as áreas de cerrado florestal estão desaparecendo. Ele precisa utilizar “manchas” cada vez menores de ambiente natural preservado para viver, se alimentar e reproduzir.

 

Uma limitação biológica somada a um acentuado nível de degradação deixa a situação ainda mais crítica, podendo fazer com que dois pica-paus que vivam relativamente próximos jamais venham a se encontrar.

 

O pica-pau-do-parnaíba não consegue atravessar espaços que foram usados para a agropecuária, atividade intensamente realizada em todo o Cerrado e que já responde pelo uso do solo de seis em cada dez hectares desse bioma, conforme dados do WWF-Brasil.

 

Assim, os pica-paus-do-parnaíba estão vivendo em espaços cada vez menores e confinando-se em pequenas populações, acentuando o isolamento da espécie.

 

Aonde a agricultura não chega

 

Nesse contexto, verifica-se a grande importância das unidades de conservação, que protegem 8,21% do Cerrado, sendo que apenas 2,85% desse total correspondem a unidades de conservação de proteção integral, como indicam dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

 

Essas áreas contribuem para a conservação não apenas do pica-pau-do-parnaíba, mas também das mais de 14 mil espécies de fauna e flora que ocorrem no Cerrado, considerado a savana mais rica do planeta.

 

Em Goiás, essa proteção ganha reforço com a Reserva Natural Serra do Tombador, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) administrada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que também é apoiadora da pesquisa que está contribuindo para a conservação do pica-pau-do-parnaíba.

 

A Reserva mantém conservada uma área de 8,7 mil hectares de Cerrado conservado na região de Cavalcante, a 22 km do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

 

Um passo importante para a conservação

 

Habitat específico, necessidade de grande área para circulação e avanço das fronteiras agrícolas. Esses fatores levaram o pesquisador Renato Pinheiro e sua equipe a recomendar ao Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que a espécie seja incluída na lista vermelha de espécies brasileiras ameaçadas de extinção.

 

“Além disso, também elaboramos um plano contendo sugestões de estratégias para conservação do pica-pau-do-parnaíba para que, com conhecimento adquirido, possamos preservá-lo. A ideia principal nesse plano é criar unidades de conservação onde a espécie ocorre, conseguindo conservar o máximo de indivíduos possível”, destaca Renato Pinheiro.

 

Características da espécie

 

O pica-pau-do-parnaíba tem um comprimento total aproximado de 26 cm (fêmea) e 25 cm (macho). O peso também varia ligeiramente entre os sexos, sendo de aproximadamente 109 g na fêmea e 96 g no macho. Apresenta o bico claro, em tonalidades de branco, a cabeça é marrom-avermelhada, com pescoço amarelo, garganta e peito negros. O ventre e laterais do corpo são de cor amarelo-ocre sem estrias, sendo que o dorso e a parte superior das asas possuem estrias pretas, como a cauda.

 

Sobre a Fundação Grupo Boticário – A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.352 projetos de 465 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Projeto Oásis. Na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.br, www.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/fundacaogrupoboticario.

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