Campo Grande-MS 23.05.2017
O vírus Zika e as transfusões de sangue
Quinta-Feira, 04.02.2016 às 09:34
O vírus Zika e as transfusões de sangue
A transmissão transfusional do vírus Zika é evento raro, assim como a dengue
Marina Nobre
Para o Portal Top Vitrine
Divulgação
Dr. Dimas Tadeu Covas

Diante de notícias veiculadas recentemente sobre a possível transmissão do vírus Zika por transfusão de sangue, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) emite para orientação da população, doadores e receptores de sangue e do público em geral.

 

As informações são do presidente da entidade, Dimas Tadeu Covas, que também é professor Titular de Hematologia e Hemoterapia/Universidade de São Paulo.

 

1. O vírus Zika, à semelhança de outros arbovírus (Dengue, Chikungunya) é transmitido majoritariamente pela picada de mosquitos do gênero Aedes do qual o Aedes aegypti é universalmente distribuído no Brasil

 

2. A transmissão transfusional do vírus Zika é evento raro da mesma forma que a transmissão transfusional dos vírus Dengue e Chikungunya

 

3. Não existem, atualmente, testes laboratoriais de diagnóstico da infecção pelo vírus Zika que sejam registrados ou adequados para a triagem laboratorial de doadores de sangue

 

4. Medidas de segurança e proteção relacionadas à transfusão de sangue baseiam-se na triagem clínica e epidemiológica dos doadores de sangue e são eficientes para identificar doadores sintomáticos ou com história clínica sugestiva da infecção e devem ser reforçadas juntos aos serviços de hemoterapia, em conformidade com a Nota Técnica 094/2015 da Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde (CGSH/MS)

 

5. Testes de biologia molecular caseiros (in house) não são testes validados ou registrados pelas autoridades sanitárias e seu uso não é recomendado pela ABHH para a triagem laboratorial de doadores de sangue, a não ser em protocolos de estudos aprovados por Comitês de Pesquisa institucional

 

6. A ABHH reconhece que a medida mais eficaz para proteger a população e o estoque de sangue é o combate ao vetor Aedes aegypti

 

7. Diante destas considerações e das evidências científicas disponíveis, a ABHH não reconhece que os estoques de sangue do Brasil, neste momento, estejam submetidos a riscos acrescidos que justifiquem a adoção de medidas adicionais (testes laboratoriais ou quarentena de hemocomponentes) em adição às medidas de triagem clínica e epidemiológica já mencionadas

 

8. A ABHH, por outro lado, alerta e conclama a comunidade científica da área para aproveitar a oportunidade para a realização de estudos e pesquisas que venham a elucidar os riscos associados à transfusão na atual epidemia do vírus Zika que se aproxima.

 

Saiba mais sobre a ABHH

 

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) é uma associação privada para fins não econômicos, de caráter científico, social e cultural. A instituição congrega médicos e demais profissionais interessados na prática hematológica e hemoterápica de todo o Brasil. Hoje, a instituição conta com mais de dois mil associados.

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