Campo Grande-MS 23.05.2017
Combate ao fogo no Cerrado
Terça-Feira, 06.08.2013 às 00:01
Combate ao fogo no Cerrado
Encontro é aberto ao público e será realizado nos dias 7 e 8 de agosto
Maria Luiza – O Boticário
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Divulgação/Haroldo Palo Jr
Incêndio no cerrado: um problema recorrente

Anualmente, o período de seca (junho a outubro) atinge o Cerrado brasileiro, deixando marcas profundas. De acordo com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 2013 já foram registrados 16.869 focos de queimadas no Brasil, sendo que 47,8% desse total ocorreram nesse bioma.

 

Apenas em Goiás, já foram detectados 750 focos de incêndio de janeiro a julho, valor que corresponde a 95% do número total de 2012, quando foram registradas 785 queimadas.

 

Com o objetivo de discutir questões como a importância do combate ao fogo e formas de preveni-lo, acontece entre 7 e 8 de agosto, em Cavalcante (GO), o II Encontro de Prevenção a Queimadas.

 

O evento é gratuito e acontece em dois momentos distintos: o dia 7 (quarta-feira) será aberto à sociedade civil e grupos escolares.

 

Nesse primeiro dia, serão oferecidas à comunidade diversas palestras relacionadas ao combate às queimadas e suas consequências para a natureza e para a vida das pessoas, como a interrupção de serviços públicos, a exemplo da transmissão de energia elétrica; problemas respiratórios por conta da fumaça; e perigo para plantações.

 

“A participação da população e das lideranças locais é fundamental, pois precisamos conscientizar e mobilizar o máximo de pessoas possível. Todos nós dependemos da natureza e o fogo é muito prejudicial para a biodiversidade do Cerrado. Precisamos agir agora e em conjunto para evitar ou reduzir esses impactos”, afirma Daniele Gidsicki, administradora da Reserva Natural Serra do Tombador, localizada em Cavalcante.

 

Administrada pela Fundação Grupo Boticário, essa unidade de conservação é uma das maiores Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) do bioma e nela é realizado constantemente um trabalho de prevenção e combate a incêndios, com o apoio de uma brigada voluntária comunitária, pioneira na região.

 

Já na quinta-feira (8), o encontro será mais técnico e fechado para jornalistas e para as entidades participantes. Dentre os temas abordados estão a criação de uma lei municipal em Cavalcante para ordenar o uso do fogo no município e a união das entidades para empreender esforços conjuntos contra o fogo.

 

“O objetivo é propor a criação de um grupo que será uma ‘coalisão de fogo’, responsável por empreender ações de educação e mobilização ambiental na região, principalmente relacionadas à prevenção do fogo, bem como ter ações conjuntas de controle das queimadas”, explica Daniele.

 

Durante o evento também será lançado pela Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Goiás (Semarh) o projeto ‘Fogo Zero’, que será uma iniciativa para combater as queimadas em áreas do Cerrado goiano.

 

Realizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o evento tem como organizadores a Câmara Municipal de Cavalcante e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais – Prevfogo.

 

Também participarão do evento a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Goiás (Semarh), a Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (Taesa), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com técnicos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e o Ministério Público de Goiás (MPGO).

 

Fogo natural e fogo botado

 

Para o analista ambiental do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros/ICMBio, Fernando Rebello, o fogo pode ser considerado um distúrbio normal do Cerrado quando é causado por raios, o que geralmente ocorre no início ou final da época das chuvas.

 

Os fogos “naturais” ocorrem em áreas pequenas e são apagados pela própria chuva, não se propagando por grandes extensões em função da maior umidade presente no solo e na matéria orgânica deposta sobre ele.

 

Esse fogo natural é benéfico, pois, após a passagem da queimada, a presença das cinzas e da água das chuvas permite que os nutrientes sejam incorporados à terra. É época também em que os organismos do solo estão ativos, ajudando no processo de incorporação desses nutrientes.

 

Por outro lado, o fogo por origem humana (chamado “fogo botado”) pode ser criminoso ou resultado da queima de áreas de pastagem e cultivo.

 

Quando é estimulado em épocas de seca (que começa em geral no início de junho e vai até outubro/novembro), há um sério perigo de que ele se alastre para as áreas naturais, nas quais poderia ter grande potencial devastador.

 

Geralmente, alcança intensidades e temperaturas que destroem o banco de sementes do solo e se espalha por grandes áreas, sendo difícil seu controle. Assim, o solo se torna cada vez mais pobre, prejudicando a cobertura vegetal.

 

“O fogo botado queima a biodiversidade do Cerrado. Ele atinge inclusive plantas e ambientes que não toleram o fogo e que estão se tornando cada vez mais raros. Infelizmente essa ainda é uma questão cultural que não conseguimos resolver em curto prazo”, argumenta Rebello. É preciso, segundo ele, oferecer alternativas melhores para que os proprietários de terra da região possam se desenvolver sem depender de queimadas. “No curto prazo, trabalhamos na conscientização dessas pessoas e na orientação quanto ao manejo do fogo”, finaliza.

 

Serviço

 

II Encontro de Prevenção a Queimadas

Data: 7 e 8 de agosto

Horário: das 8h às 18h

Custo: gratuito

Local: Auditório da Câmara Municipal de Cavalcante (Rua 4, s/n, quadra 52, lote 565)

Público: sociedade civil e grupos escolares para dia 7; fechado para entidades participantes e jornalistas no dia 8.

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