Campo Grande-MS 24.04.2017
Cães medrosos
Terça-Feira, 16.06.2015 às 13:00
Cães medrosos
Em excesso, medo pode impedir o bem-estar do animal
Soraia Mergulhão - Colunista de Comportamento | Mais Que Pet
Para o Portal Top Vitrine
Divulgação/Mais Que Pet
O cão adulto e medroso costuma ser agressivo

Com paciência e atitudes corretas, é possível diminuir a insegurança dos cães e torná-los mais sociáveis e felizes.

 

O medo é um sentimento comum a todos os seres vivos e é muito útil.

 

Ele impede, por exemplo, que o cão se meta em encrencas desnecessárias e pode até mesmo salvar sua vida.

 

Em excesso, porém, pode impedir o bem-estar do animal e até causar comportamentos agressivos.

 

Filhotes

 

A maioria dos filhotes é naturalmente medrosa. Se você adotou ou comprou um cãozinho e o levou para sua casa, é natural que ele tente se esconder quando ouvir um barulho estranho, encontrar outro cão ou algo que ele não conheça. Ele pode se assustar até com uma inocente lixeira ou uma almofada.

 

Por isso é importante ter calma nos primeiros meses de vida de seu amigo de patas e dedicar alguns minutos por dia para socializá-lo de forma adequada.

 

Segundo alguns especialistas, até os 6 meses de idade devemos expor o cãozinho ao maior número possível de estímulos e situações diferentes, como barulhos de máquinas, aspirador de pó, cortador de grama, andar de carro, subir/descer as escadas, etc.

 

Nessa fase ele está muito mais maleável e será mais fácil superar os sustos e os pequenos traumas.

 

Como agir?

 

Vamos usar o aspirador de pó como exemplo:

 

- coloque seu cãozinho em um ambiente de onde ele não poderá fugir

 

- deixe-o reconhecer o ambiente por alguns minutos, passeando e cheirando

 

- ligue o aspirador. Provavelmente ele fugirá para se esconder

 

- aja de forma natural, desligue o aspirador, chame-o e tente atraí-lo para perto, para cheirar

 

- repita umas três vezes esse exercício

 

Caso ele se aproxime e toque o aspirador, recompense-o com carinho e palavras de apoio. Se ele não se aproximar, tente atraí-lo falando com ele de forma alegre, para que ele perceba, através do tom de sua voz, que o objeto não é perigoso e pode ser até divertido. Em hipótese nenhuma o toque ou o console se ele ficar escondido, mostrar agressividade ou fugir.

 

Eu apliquei essa técnica com um dos meus cães e o resultado foi incrível. Ele gosta tanto do aspirador que não posso usá-lo antes de “aspirar” as costas dele!

 

Alguns filhotes são corajosos e aventureiros, mas não é a maioria. Uma ressalva para os filhotes que são adotados: já atendi muitas pessoas que adotaram cães com 2 ou 3 meses de idade e que passaram por situações de privação, fome, frio.

 

Seus tutores sempre me perguntam se algum mau comportamento que eles exibem já adultos seria reflexo da “infância”. Resposta: provavelmente não.

 

Os cães são animais, seguem as regras da natureza, que diz: “Vá em frente, supere!”. Os casos de “traumas” são ocasionados pelos humanos que não dão o estímulo ou o apoio correto para que eles superem seus medos.

 

Cães adultos

 

O medo em cães adultos é um pouco mais complexo. E os motivos para um cão adulto ser medroso são maiores do que para um filhote:

 

- falta de uma socialização adequada na infância

 

- ele pode ser naturalmente inseguro

 

- pode ter sofrido algum susto ou trauma, como um atropelamento, surras, etc

 

- pode ter sido atacado por outros animais, como cães ou gatos

 

O maior problema é que um cão adulto e medroso costuma ser, na maioria das situações, também agressivo.

 

Como reconhecer?

 

Pela linguagem corporal: rabo entre as pernas, orelhas baixas, tendência a ficar em cantos, embaixo ou atrás de móveis, mostrar os dentes quando nos aproximamos e evitar nos encarar.

 

Como resolver essa situação?

 

Se o cão for de porte grande e já mordeu ou tentou morder alguém, é recomendável procurar a ajuda de um profissional da área de treinamento/socialização.

 

Com outros cães, podemos começar diminuindo a importância da situação.

 

Se ele não reage bem a pessoas estranhas na sua casa, deve-se:

 

- evitar que ele vá junto atender a porta/portão quando chega alguém; melhor mantê-lo preso num quarto ou canil. Ao ir junto atender a porta, ele “ganha” a responsabilidade de ajudar na segurança da família, o que obviamente ele não está capacitado a fazer. Isso aumenta o seu stress, gerando uma ansiedade desnecessária. (um cão medroso não deve ter a responsabilidade de fazer a segurança da família).

 

- ao receber visitas e perceber seu amigo se esconder, ignore essa situação, não tente forçar a aproximação, isso pode gerar mordida e não resolve. O melhor é deixá-lo se esconder e, aos poucos, se aproximar sem tentar fazer nenhum contato visual ou físico. Esse trabalho pode levar semanas ou meses até surtir algum resultado. Essa atitude vai mostrando a ele que as pessoas estranhas não oferecem perigo e não há risco de vida ao se aproximar e interagir com estranhos. Nunca tente consolá-lo nessas situações, isso só irá fazê-lo pensar que está certo e que há realmente um perigo iminente.

 

- se o medo for de outros animais, como outros cães, por exemplo, devem-se promover encontros fora da casa, na rua ou em território neutro, de preferência com cães/gatos equilibrados e que não sejam também medrosos, para que este encontro aconteça sem stress ou demonstrações de agressividade ou possessividade (em relação ao território, por exemplo).

 

- para o medo de barulho, a tática é a mesma, expô-lo aos poucos ao som que o incomoda, sem fazer contato físico ou recompensá-lo.

 

Dica: a recompensa deve existir, sim, mas somente quando for observado um comportamento equilibrado e calmo. Por exemplo, se ele se interessar em conhecer o objeto de seu medo cheirando, tocando ou fazendo contato visual.

 

Por último, minha recomendação é muita paciência, principalmente com cães adultos.

 

Serviço

 

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