Campo Grande-MS 23.05.2017

LGBT & Outras Letras

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SAB, 12.12.2015

HighSexual e o mundo das piadas ingênuas e desinformação

Temos que reconhecer que ficou realmente muito engraçado

LGBT & Outras Letras

Para o Portal Top Vitrine

Por Pedro Marcos Roma de Castro *

 

Dos anos 80 para cá, parecia haver um movimento anti-rótulos, agora surpreendentemente o mundo parece estar dando uma guiada ao oposto e os rótulos proliferam, e esse fenômeno não ocorre apenas no universo feminino, mas especialmente no universo da sexualidade masculina.

 

Parece que não é mais suficiente afirmar que é homem, parece que precisa de um complemento... e, nesse campo, surgiu mais um rótulo super antigo, mas que apareceu como novidade aos ouvidos brasileiros, não acostumados com esse termo de origem da língua inglesa.

 

Tudo começou há alguns meses atrás, onde explodiu nas redes sociais uma versão em tom de piada nada convincente sobre o que seria um homem highsexual: “um homem que usa drogas e sob o seu efeito muda a sua orientação sexual” e, pasmem, essa versão chegou até mesmo a inúmeros sites e jornais ditos sérios.

 

Vamos buscar esclarecer tamanha confusão. A sexualidade adulta masculina é muito focada no ato da cópula enquanto símbolo da virilidade e da expressão fálica em sua magnitude máxima. E o highsexual é apenas isso, um suposto neologismo para identificar um conceito que possui no mínimo pelo menos dois mil anos; na verdade nem neologismo é, trata-se apenas de um termo pouco usado na língua do dia-a-dia.

 

Mas vamos aos fatos. Ocorreu que um internauta, por meio de um desabafo, afirmou que após usar maconha ele ‘“viraria” highsexual e “viraria” gay apenas por causa disso (risos). Claro que dito dessa forma, temos que reconhecer que ficou realmente muito engraçado e, por isso, o termo explodiu na internet como barril de pólvora. Mas quanta desinformação. Ninguém sabia o que era um highsexual e versão mais corriqueira foi esta da maconha e seus poderosos efeitos colaterais, mudando a opção sexual de alguns homens.

 

Em um efeito cascata, alguns sites chegou a ter até uma forma mais elaborada, e tanto quanto esdrúxula como sendo highsexual uma palavra que traria a junção do termo high, usado para dizer que as pessoas estão drogadas, com “sexual”. Hã? ¿eh? what?

 

Então vamos esclarecer essa questão. O fulano pivô do desabafo na internet não virou highsexual por causa da maconha como afirmado por aí afora; na verdade o que ele queria dizer, e não foi compreendido, era que ele mesmo usando maconha, continuava sendo highsexual, ou seja ‘“alto”, “potente”, “intenso”sexual e/ou qualquer outra tradução que você desejar para o termo high. O prefixo high, nesse caso, serve para designar homens que se consideram posicionados em elevados postos da escala de masculinidade.

 

"Apesar de ser um rótulo novo, talvez seja uma visão tão antiga que remonte ao advento do Império Romano".

 

Agora talvez você tenha lembrado daquele ditame popular de que certo orifício de bêbado não tem dono, e é isso mesmo! Só que ao inverso. O que o camarada queria dizer era que mesmo sob o efeito de entorpecentes, nesse caso a maconha, ele continuava intacto o que para ele seria motivo de orgulho, afinal o dele tinha dono sim.

 

A questão é que o highsexual pode ser um homem hétero normativo, heterogoy ou bissexual, mas tem um detalhe, para os bissexuais o rótulo de high é vinculado apenas a aqueles que desempenham o papel de gay ativo.

 

Você não já ouviu essa história antes? Certamente que sim, especialmente se você tem mais de 30 anos de idade, onde aqui mesmo no Brasil antes das revoluções de comportamentos e conceitos que explodiram a partir da década de 80, era praticamente consensual que o ativo não era gay.

 

A ideia do sexo transviado era vinculado quase que exclusivamente à prática do sexo homo passivo. Como nos EUA e no Reino Unido não existe essa cultura do politicamente correto, eles escancaram, no próprio idioma que não existe essa de igualdade. O ativo em inglês é chamado de ‘Top’ e o passivo de ‘Bottom’.

 

A cabeça do highsexual funciona exatamente assim. Para ele não há problema algum em ter aqui e ali uma relação homossexual, desde que a sua posição high seja mantida. O que há de novidade nisso? Aparentemente nada. Apesar de ser um rótulo novo, talvez seja uma visão tão antiga que remonte ao advento do Império Romano.

 

O mundo se aproximando da nova era, parece que está tão de pernas pro ar que hoje fica difícil afirmar o que é moderno e o que é ultrapassado.

 

* Pedro Marcos Roma de Castro é psicólogo pela Universidade de Brasília (UnB), Doutor em Ciências Sociais Aplicadas - com ênfase em Administração, pela Universidade de São Paulo (USP) e Analista em Ciência e Tecnologia Sênior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

SAB, 24.10.2015

Pansexualidade e bissexualidade

É importante salientar que pansexualidade não é condição sexual

LGBT & Outras Letras

Portal Top Vitrine

Por Breno Rosostolato*

 

Desde que Alfred Kinsey fundou o Instituto de Pesquisa sobre Sexo, seus estudos influenciaram os valores sociais, morais e culturais dos Estados Unidos na década de 60, no que diz respeito à sexualidade. Seus trabalhos foram concomitante ao início da chamada Revolução Sexual e até hoje os conceitos abordados são fundamentais para a compreensão da diversidade.

 

A Escala de Kinsey tentava abarcar as inúmeras orientações sexuais, que vai desde heterossexualidade exclusiva, passa pela bissexualidade, bem no meio da escala, a homossexualidade exclusiva e termina com a assexualidade.

 

A bissexualidade, especificamente, elege como objeto de desejo homens e mulheres, sem distinção. Não precisa escolher porque não há distinções e a libido direciona-se igualmente para ambos os gêneros.

 

A androginia, por exemplo, recusa as imposições sociais, pois não existe um ideal masculino e feminino para se corresponder. Não precisa renegar em si as características do outro gênero. Defende-se a ideia que ninguém deve ser fragmentado quanto à sua identidade sexual. A coesão e harmonia entre os gêneros são totalmente plausíveis. Sustentam-se os interesses afetivos, sexuais e posicionamentos sociais.

 

O bissexual apropria-se da mentalidade androgênica e transfere ao campo dos prazeres a possibilidade de se envolver sexualmente com homens e mulheres, sem cogitar nenhum tipo de indecisão pessoal. Tampouco é medo de assumir uma ou outra orientação sexual, ideia muito difundida na sociedade e que não condiz com a realidade bissexual, que, de fato, posiciona-se de maneira dualista.

 

É diante deste cenário que surge o pansexualismo. O prefixo ‘pan’ significa tudo ou todos e, conceitualmente, uma orientação sexual muito mais ampla do que a bissexualidade.

 

O pansexual não se limita ao sistema binário, masculino ou feminino, mas a uma pluralidade, rompendo com o binarismo de gêneros e contemplando a concepção que não existe apenas dois gêneros. O objeto de prazer abrange homens, mulheres, transexuais, assexuados, drag queens, drag kings, não-binários ou intersexo.

 

Os omni-sexuais ou oni-sexuais, termos usados também para designar o pansexual, afastam-se do exclusivismo de gêneros ou do essencialismo do bissexual. As relações estabelecidas acontecem mediante ao prazer vivenciado. O vínculo sexual e amoroso acontece conforme características de personalidade, ou seja, o pansexual se relaciona de acordo com as necessidades e reciprocidades. Rompe as fronteiras dos gêneros e abre um precedente, qualquer um é alvo de seu investimento libidinal.

 

Os pangêneros, por sua vez, convivem bem com o sexo anatômico, muito embora, por uma convenção social implícita, moldam-se e representam papéis sociais de acordo com o gênero do seu sexo oposto, através de roupas, comportamento típico, maneirismo e estereótipos, mas sem se enquadrar a nenhum gênero binário.

 

É importante salientar que pansexualidade não é condição sexual. Condição sexual está ligada a um aspecto natural como na intersexualidade associada ao hermafroditismo; ou é uma identidade sexual como no caso da homossexualidade.

 

A pansexualidade é uma expressão da atração sexual. Implica desejo, cuja fluência do prazer vai calcar a busca do objeto de amor, cuja, a busca sexual baseia-se nas próprias preferências. Os pangêneros se identificam com os padrões de gêneros e consideram todas as orientações, condições e identidades potencialmente aptas a satisfazer seu desejo.

 

Estas ramificações sexuais nos conduzem a possibilidades de desejos antes desconhecidos, nas quais nossas identidades de gêneros, moldadas pela sociedade, pela cultura e pela história, não nos permitem vislumbrar a grandiosidade da sexualidade humana.

 

Fato é que a pansexualidade não é a atração por objetos ou árvores. Esta confusão atribui-se ao músico Sergei, que em uma entrevista no Programa do Jô declarou ser pansexual e que transava com árvores. História que o próprio Sergei, tempos depois, desmentiu. Pansexualidade não tem nada a ver com parafilias.

 

Nomenclaturas são pessoais e cada um usa a denominação que se sentir melhor representada. A questão é que entre mulheres e homens existem muitos espectros de identidades e gêneros. Bem vindo ao universo da pluralidade.

 

* Breno Rosostolato é psicólogo, terapeuta sexual e professor universitário em São Paulo (SP). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2013.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

SAB, 03.10.2015

Lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais

ONU combate a violência homofóbica e transfóbica

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“A violência e a discriminação contra as pessoas com base na orientação sexual, identidade de gênero e características sexuais biológicas viola os direitos humanos e empobrece comunidades inteiras. É por isso que as agências das Nações Unidas se uniram para estimular a mudança “, disse o chefe de Assuntos Globais do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Charles Radcliffe.

 

Em uma iniciativa conjunta sem precedentes, 12 agências da ONU emitiram um apelo conjunto para acabar com a violência e discriminação contra adultos, adolescentes e crianças lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais (LGBTI).

 

“Esta é a primeira vez que tantos membros da família das Nações Unidas uniram forças em defesa dos direitos fundamentais das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e pessoas intersex”, disse o chefe de Assuntos Globais do Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, Charles Radcliffe.

 

“É tanto uma expressão de compromisso por parte das agências da ONU quanto um poderoso chamado à ação aos governos de todo o mundo para fazer mais no combate a violência homofóbica e transfóbica e no combate a discriminação e aos abusos contra pessoas intersex”.

 

A declaração destaca a ligação entre abusos dos direitos humanos contra pessoas LGBTI e problemas de saúde, rupturas familiares, exclusão social e econômica e oportunidades perdidas para o desenvolvimento e o crescimento econômico.

 

Estabelece medidas específicas que os governos, em particular, devem tomar para coibir a violência e proteger os indivíduos de discriminação – incluindo medidas para melhorar a investigação e comunicação de crimes de ódio, tortura e maus-tratos, proibir a discriminação e rever e revogar todas as leis utilizadas para prender, punir ou discriminar pessoas com base em sua orientação sexual, identidade de gênero ou expressão de gênero.

 

“A violência e a discriminação contra as pessoas com base na orientação sexual, identidade de gênero e características sexuais biológicas viola os direitos humanos e empobrece comunidades inteiras. É por isso que as agências das Nações Unidas que trabalham em uma ampla gama de áreas – saúde, educação, emprego, desenvolvimento, direitos das crianças, igualdade de gênero, segurança alimentar e refugiados – se uniram para estimular a mudança “, disse Radcliffe.

 

“Embora o simbolismo disto seja importante, as recomendações práticas que apresentamos são ainda mais importantes. Esperamos que esta declaração possa fornecer um modelo para os governos, bem como para as equipes da ONU no terreno em países ao redor do mundo.”

 

A declaração conjunta da ONU “Dar fim à violência e à discriminação contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersex” foi endossada por 12 entidades das Nações Unidas: a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (UNAIDS), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a ONU Mulheres, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Leia a íntegra da declaração:

 

www.nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/09/Declara%C3%A7aoconjunta.pdf

 

Fonte: ONU Brasil

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