Campo Grande-MS 23.05.2017

Carlos Brickmann

Política

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DOM, 17.04.2016

A guerra dos tronos

É um enfrentamento meio estranho

Carlos Brickmann

Para o Portal Top Vitrine

É hoje. O Palácio do Planalto de Dilma enfrenta o Palácio do Jaburu cujo soberano é Michel Temer, pela Presidência da República. É um enfrentamento meio estranho, primeiro, porque disputa de Presidência travada a partir de Palácios é quase uma contradição em termos. Vamos juntar o crucifixo do Aleijadinho? Vamos juntar as obras do Athos Bulcão? E vamos lutar por eles? Não é o caso.

 

O segundo motivo é que tem gente achando que vai ter guerra mesmo. Que no momento em que estiver todo mundo na rua, aplaudindo ou condenando o impeachment, muita gente irá para a briga também. Pois pode tirar o cavalinho da rua. Tanto a polícia de Brasília quanto a de São Paulo, que são as mais fortes, já determinaram as distâncias e os produtos que podem ou não aparecer numa manifestação. Por exemplo, se alguém aparecer lá com uma foice, ou com um facão, ele não vai entrar na briga não, por mais que pense que vá. A coisa vai correr tranquilamente.

 

Agora este colunista vai dar um palpite; palpite mesmo, não mais do que isso, porque no momento não dá para outra coisa a não ser um palpite: ganha o presidente Temer.

 

Dilma perde o mandato e Temer poderá até mantê-lo, dependendo do Tribunal Superior Eleitoral, TSE. Mas até lá, esse outro julgamento, é ele que ficará. Será ele que vai tentar realizar de novo o grande sonho das conversas em Brasília que negociem as diferenças entre os vários partidos.

 

Só não fique muito otimista. Existe ainda o juiz Sergio Moro que, agora, neste momento em que escrevo, já está há quatro dias tomando o depoimento do Príncipe dos Empreiteiros, Marcelo Odebrecht. Se o Marcelo contar tudo o que sabe, será melhor mesmo começar tudo de novo.

 

Cai a coroa e o rei.

 

Um canto

 

Gente malvada essa de Brasília. Com essa história da Dilma prometer formar um novo pacto de união, estão dizendo que ela está montando o Canto da Cisna.

 

Bomba! Bomba!

 

O presidente do Senado, Renan Calheiros, o peemedebista mais fiel à Dilma, o homem mais próximo do governo, informou a amigos que não vai acelerar o ritmo do impeachment quando este for encaminhado à Casa.

 

Ah, sim! A verdade é que depois do resultado, se o pedido passar, acabou. Derrubou. Não vai ser acelerado ritmo, não vai ter truque novo, nada que mude isso e, claro, ele tranquilamente vai ficar debaixo da lei dizendo que fez exatamente o que a Constituição manda.

 

Noção da situação

 

A Odebrecht já está falando de um lado. De outro, um dos mais hábeis políticos brasileiros, aquele cujo partido não tem direita, nem frente, nem esquerda, nem coisa nenhuma, que é Gilberto Kassab, já decidiu.

 

Sai do governo e apoia o impeachment.

 

Sem círculo

 

Dilma diz que na hipótese, que parece improvável, de ganhar a briga contra o impeachment, vai propor um governo de União Nacional, acenando antecipadamente à oposição com um pacto.

 

Vamos, então, analisar o pacto da Dona Dilma: enquanto ela estava no poder e mandava de todos os lados e com todos os cargos para distribuir, não conseguiu formar nem um governo. Termina com esse ministério medíocre. Um ministeriozinho. Até o Ministério de Fernando Collor era muito melhor do que esse. Agora imaginem outro, igual ou pior.

 

Esqueçam.

 

O mordomo, rei 

 

Não se assuste com o vice-presidente Michel Temer. Certamente ele tem os seus defeitos, certamente não são poucos. Certamente em sua carreira política cometeu falhas ou deslizes que poderiam criar problemas para ele. Mas, enfim, é uma pessoa tranquila, conversável, educada. Não escoiceia nem subordinados, nem visitantes. Uma pessoa com quem dá para dialogar.

 

Em resumo, o que será possível analisar depois da votação deste domingo é se será o homem certo ou errado.

 

Este colunista que acompanha os fatos há muitos anos não tem torcida, nem preferência, mas a impressão é que com Temer poderá ser possível pelo menos trocar ideias com nexo.

 

Na linha

 

O empreiteiro Marcelo Odebrecht começou a descrever ao juiz suas atividades desde muito tempo atrás. Numa delas fala amplamente e garante a credibilidade dos policiais que participaram da Operação Lava Jato. Nega que tenha comprado dossiê, mas é o que está correndo.

 

Estatal empregadora

 

Esse é um país singular. O mais odiado dos ministros do STF pelo governo é o Gilmar Mendes. Só que  entre o patrocínio do grande evento que ele montou em Lisboa, na Faculdade de Direito, estiveram a OAB nacional, que apoia o impeachment, e Itaipu que não só não apoia o impeachment, como é do próprio Governo e dá aquele monte de empregos para aquele monte de gente que fora de lá, digamos, estaria com muitas dificuldades e engrossando o atual índice nacional de milhões de desempregados.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

QUA, 13.04.2016

Do zero ao infinito

É preciso fazer com que até políticos voltem a trabalhar pelo País

Carlos Brickmann

Para o Portal Top Vitrine

Há quem prefira esta Dilma que se elegeu aliada a Temer ao Michel Temer que se elegeu ao lado de Dilma. Há quem lute contra Renan, ministro de Fernando Henrique, para derrubar Renan, homem-forte de Lula. Ou faça questão do Lula que combateu Collor, repudiando o Lula que se uniu a Collor.

 

Outros preferem o Governo Dilma da “faxina ética” à administração Dilma que comprou a tal refinaria, aquela. Há quem mate e morra para desmoralizar o Delcídio delator, que se atreve a contar o que sabe sobre seus antigos aliados e, digamos, colegas de trabalhos no Parlamento. Existe até quem seja favorável à demissão de Kátia Abreu, só porque era ruralista, virou ministra de Dilma e hoje é sua amiga de infância. Outros exigem a queda de Nelson Barbosa, substituto de Guido Mantega e seu eterno reserva no Ministério da Fazenda, porque preferem, surpreendam-se, o titular.

 

E os que querem a pele da Marina Silva que foi ministra de Lula para evitar que a Marina Silva que sugeriu o voto em Serra chegue forte às eleições?

 

Isso não quer dizer que tanto faz escolher um lado ou outro do impeachment. Não, nada disso: a queda do governo que paralisou a economia e dividiu o País em Nós e Eles é essencial para a retomada do diálogo entre os adversários e a volta ao desenvolvimento. Ou não, desde que o Governo, se vitorioso, retome as boas negociações. Não será fácil, mas é essencial.

 

É preciso fazer com que até políticos hoje nocivos voltem a trabalhar pelo País.

 

Cuidado com os magos

 

Michel Temer é um homem educadíssimo, de uma cultura impressionante, grande conhecedor de política. Mas sempre que foi testado, digamos, não mostrou grandes resultados. Em São Paulo Orestes Quércia mandou no PMDB à vontade sem lhe dar a menor atenção. Temer chegou a ser o deputado eleito menos votado do Estado.

 

É claro que uma pessoa educada, habituada ao diálogo, é muito melhor que uma grosseira que trata os subordinados a palavrões. Mas não esperem milagres de Temer. Ele é sem dúvida melhor do que a maioria dos que existem por aí.

 

Mas vamos combinar que isto não é grande vantagem.

 

Não fui eu

 

Michel Temer garante que a mensagem que mandou ao PMDB, e que é uma mensagem de Presidente da República, vazou por causa de alguém sem cuidados.

 

Michel Temer é um sujeito que não fala nem boa noite para alguém sem antes pensar três vezes e aí se decidir que é muito perigoso, e não fala - o sujeito mais precavido do mundo.

 

De repente as coisas vazam e aparecem com essa facilidade toda. Coisas que ele queria dizer para o público que faria como presidente, mas sem dizer diretamente que era isso que estava fazendo.

 

Ele garante que foi mesmo sem querer. Então, tá.

 

Honra e verdade

 

Como na obra de Julio Cesar, Temer é um homem honrado, tão honrado quanto Brutus que era praticamente filho de Cesar, mas foi quem lhe deu a primeira facada – em defesa, claro, das instituições republicanas e contra o golpe.

 

Temer disse que não é candidato a presidente da República. Se ele, que é um homem honrado, diz que não é candidato, é porque não é. Não é assim que as coisas ocorrem na política?

 

Unha e carne

 

Um detalhe do ex-senador Gim Argello, que foi preso na nova fase da Operação Lava Jato, acusado de receber propinas das obras da Petrobras, está passando despercebido. É preciso lembrar que até há muito pouco tempo ele era o homem forte da Dilma Rousseff no Senado Federal, com privilégios que quase o levaram até ao Tribunal de Contas da União.

 

Argello foi um dos homens mais fortes da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional. Ele a defendia com todo o vigor e atacava quem tomasse qualquer medida contra ela, com todo o furor, com a violência de quem busca um prato de dinheiro.

 

Observando à distância

 

Alguém terá visto a UGT, União Geral dos Trabalhadores, ligadíssima ao ministro Gilberto Kassab, nas manifestações pró-Dilma?

 

O tombo antecipado

 

Este colunista, sempre à frente dos fatos, se antecipou à luta em torno do impeachment. Caiu primeiro, fraturando braço e perna e sendo internado no Hospital Sírio-Libanês. Volta aos poucos, à medida que vai melhorando. Enquanto isso, a excelente Marli Gonçalves comanda o Chumbo Gordo (www.chumbogordo.com.br) e a Brickmann & Associados Comunicação (www.brickmann.com.br).

 

Até breve!

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QUA, 23.03.2016

Carlos Brickmann: Jamais faça o que eu faço

No dos outros sempre pode

Carlos Brickmann

Para o Portal Top Vitrine

Se não fizer o que eles mandam vão chamá-lo de coxinha, fascista, golpista, neoliberal e – insulto supremo – leitor de jornais (que chamam de mídia).

 

Tudo isso que o ex-tudo e atual advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, condena agora, ele já fez quando estava por cima. Na CPI dos Correios, de 2005, Cardozo, o atual defensor dos sigilos, divulgou os dados econômicos e financeiros dos sócios da Skymaster, obtidos após quebra do sigilo bancário das vítimas. Só parou depois de mandado de segurança, acolhido pelo Supremo.

 

E quem é que, a seu lado, também divulgava dados sigilosos dos investigados? O senador Delcídio do Amaral (que na ocasião se chamava só Delcídio Amaral), seu companheiro de lutas, também um bravo Guerreiro do Povo Brasileiro. Ambos se orgulhavam do mal que fizeram aos investigados: Cardozo divulgou os dados sigilosos dos outros em seu site, www.joseeduardocardozo.com.br; e Delcídio, em www.cpidoscorreios.org.br. Cardozo e seu companheiro Delcídio se basearam num princípio jurídico de largo uso no Brasil, “no dos outros sempre pode”. E Cardozo se baseou agora em outro princípio jurídico, “cumpanhêro é cumpanhêro, tem imunidade”, para considerar ilegal a divulgação dos sigilos de Lula (atitude que considerava legal quando era ele que a fazia contra quem não era do partido).

 

Cardozo, além de advogado geral da União, procurador do Município de São Paulo (licenciado) e ex-ministro da Justiça, é professor da Faculdade de Direito da PUC. Tem condições de explicar por que o que era legal antes é ilegal hoje.

 

Para Lula, tudo

 

O caro leitor deve estar saturado de tantos protestos contra as conduções coercitivas. Desde que Márcio Thomaz Bastos era ministro da Justiça, no Governo Lula, as operações de busca e apreensão da Polícia Federal são acompanhadas de condução coercitiva de pessoas a ser interrogadas. Nunca houve intimação prévia, para – é óbvio – evitar a ocultação e destruição de provas. Foi assim nas operações Farol da Colina (2004), Dilúvio (2006), Bola de Fogo (2006), Rio Nilo (2007), Estrada Real (2008), Plástico Frio (2014). Nessas operações, ninguém classificou a condução coercitiva como abuso. Com Lula é diferente?

 

Divirta-se

 

Em http://wp.me/p6GVg3-1y9, uma divertida versão de We are the world, com Ceará, ex-Pânico na TV, cantando e comentando o Governo Dilma.

 

Canhões giratórios

 

Esta é uma semana relativamente tranquila, do ponto de vista apenas político (embora com as tormentas causadas pela Operação Xepa ao Governo e a suas empreiteiras de estimação). Mas a semana seguinte, logo após o Domingo de Páscoa, deve ser tumultuadíssima, do ponto de vista da presidente Dilma. Dia 29, o PMDB, ao que tudo indica, marca oficialmente seu distanciamento do Governo – embora haja um grupo que, embora aceite romper com Dilma, quer manter seus cargos. Outros partidos ameaçam abandonar a base, bem na hora em que Dilma, acossada pelo impeachment, mais precisa de seus votos. Neste momento, há dúvidas sobre a capacidade da presidente de reunir os 171 votos necessários para sepultar o impeachment na Câmara. Com as rupturas previstas, isso fica ainda mais difícil. Lula tenta negociar com o Senado, onde o PT transita com mais facilidade, mas depende dos humores (e reivindicações) de Renan Calheiros. E até lá há dois fatores imponderáveis: a evolução das investigações da Lava Jato, que inclui os desdobramentos da Operação Xepa e eventuais novas iniciativas; e as decisões de Sérgio Moro sobre Lula, novamente sujeito, por ordem do Supremo, à sua jurisdição. Se houver a prisão de Lula, que se poderá esperar?

 

Mãos Limpas, Lava Jato

 

Reserve a data (e reserve lugar, porque vai lotar): dia 29, terça que vem, das 14 às 18h, os juízes Sérgio Moro e Piercamillo Davigo, integrante da força-tarefa da Operação Mãos Limpas na Itália, participam de simpósio sobre Combate à Corrupção. Com eles, Rodrigo Chemim, procurador do Paraná, e Paulo Roberto Galvão de Carvalho, procurador da República, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato. Público preferencial: magistrados e Ministério Público. As palestras terão tradução simultânea. Ao final do evento, todos – exceto o juiz Sérgio Moro – responderão a perguntas do público. No auditório da Procuradoria Regional da República, 3ª Região, av. Brigadeiro Luís Antônio, 2020, SP.

 

Falcão abre o jogo

 

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, está convencido de que o Governo não cometeu erros, não falhou (e, embora não o diga, que ninguém botou a mão onde não devia). Para resolver a crise, tem uma solução simples: providências contra rádios e tevês que, a seu ver, defendem um golpe. “Não é possível que emissoras de rádio e TV, concessões de serviço público, continuem, à margem da lei, propagando e organizando o golpe”. É a volta da antiga tese petista, que havia sido deixada um pouco de lado, de que é preciso impor controles à imprensa . Danem-se os índices técnicos: a publicidade governamental deve ser cortada nos veículos que não seguirem as diretrizes oficiais. E as verbas devem ser destinadas ao jornalismo chapa branca, em especial os blogs e sites obedientes.

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Carlos Brickmann

É jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes - prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 1978 e 1979, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa; repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S. Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde. Desde setembro de 2012 é articulista semanal do Portal Top Vitrine.

 

carlos@brickmann.com.br
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